Mundo Trânsito » Crônicas http://mundotransito.com.br Sat, 08 Feb 2014 13:45:19 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.5.1 A estrada, a passarela, o peão e o cavalo http://mundotransito.com.br/index.php/2013/06/12/a-estrada-a-passarela-o-peao-e-o-cavalo/ http://mundotransito.com.br/index.php/2013/06/12/a-estrada-a-passarela-o-peao-e-o-cavalo/#comments Wed, 12 Jun 2013 18:53:54 +0000 admin http://mundotransito.com.br/?p=3069 A estrada, a passarela, peão e o cavalo

A estrada, a passarela, peão e o cavalo

Benedito, um jovem e singelo peão de fazenda, homem carrancudo, de pouca prosa e grande mau humor, caminhava para seu trabalho, da pequena vila em que mora, até a Fazenda do Seu Antenor, homem rico, dono de uma imensa propriedade, à perder de vista, que margeia uma estrada de acesso ao interior de São Paulo. O jovem peão, de pouca instrução, mas muita vontade de trabalhar percorre todos os dias cerca de 10 kilometros de estrada de chão batido, da sua vila até a sede da fazenda, tendo ainda em seu caminho, a rodovia asfaltada e seu grande fluxo de veículos. Em virtude do grande número de pessoas que cruzam a rodovia,  oriundos da pequena vila e com destino à fazenda, instalou-se no local uma passarela para a segurança dos pedestres, antiga reinvidicação do dono da fazenda para seus funcionários.

Todos que passavam pelo local ficaram agradecidos com o Seu Antenor. Ou melhor, quase todos. Como bom e teimoso peão, Benedito era reticente em utilizar a passarela, ainda mais montado em seu cavalo. Todos que passavam pela passarela, desmontavam de seus cavalos e percorriam o trajeto a pé. Com Benedito era diferente. Ele cruzava a via, embaixo da passarela, ainda montado em seu cavalo. No canteiro central da via, foi instalada uma pequena defensa metálica, mas entre seus vãos, era possível efetuar a passagem.

Havia apenas um pequeno problema. Toda vez que cruzava a via, o cavalo de Benedito ficava arredio, forçando o peão a controlá-lo com vigor e com suas esporas. E assim o tempo passava, todos pela passarela e Benedito pela estrada, sempre enfrentando a resistência de seu equino. “Cabra, toma cuidado com a ‘istrada’” – diziam seus colegas. “Num tem ‘probrema’” – respondia o peão – “sou mai eu e o cavalo sabe ‘qui’ quem manda ‘sô’ eu”. Certa vez, Seu Antenor, em visita à fazenda, disse ao peão: “Rapaz, se você não nos ouve, pelo menos entenda seu cavalo, ele parece ser mais esperto que você”. Mas não adiantava falar. Benedito sempre foi teimoso, desde pequeno não dava ouvidos aos conselhos alheios, e não seria um cavalo que mudaria seu comportamento.

Certa vez, em uma sexta-feira, o movimento da estrada parecia mais acentuado, dificultando a passagem pela estrada. Benedito, enquanto esperava o momento certo de cruzar a via, tentava controlar os brios do cavalo, mais agitado que o de costume. Em certo momento, segurou firmemente nas rédeas e após uma esporada, partiu para a travessia da rodovia. Logo chegou no canteiro central e, sem observar a aproximação de um veículo, tentou cruzar o outro lado da via. Em um relance, deu outra esporada no cavalo, que desta vez, empinou as patas dianteiras, não obedecendo ao peão. Logo o veículo passou à sua frente em alta velocidade, buzinando insanamente, como que xingando o teimoso peão. O barulho da buzina assustou ainda mais o cavalo que deu outra empinada, derrubando Benedito. Na queda, bateu a cabeça na defensa e desmaiou sobre a pista.

Instantes depois, o peão parecia recobrar os sentidos. Abriu lentamente os olhos e colocou sua mão na cabeça. Logo sentiu uma forte dor e um calombo enorme na nuca. Sentou-se ainda desnorteado e percebeu várias pessoas ao seu redor. O trânsito estava parado na estrada em virtude do ocorrido e dos curiosos que se aglomeravam para saber qual desfecho daquela cena incomum. Olhando para aquela gente, Benedito perguntou: “O que aconteceu?”. Uma pessoa, aparentemente condutor de um veículo, respondeu: “Cara, você nasceu de novo! Vi na minha frente um cavalo, que empinava para o meu lado, como que não permitindo que eu passasse. Logo depois vi você no chão. O cavalo relinchava para nós e olhava para você! Quando percebeu que o trânsito parou, o cavalo foi para fora da rodovia. Aí, arrastamos você para cá!”

Aos poucos, ao perceberem que o peão estava bem, os condutores foram embora, deixando Benedito junto com seu cavalo. Em pouco tempo, já em pé, Benedito percebeu que todos foram embora, restando apenas seu cavalo, que comia um capim próximo dele. Ainda um pouco tonto, observava atentamente a passarela, esperando o tempo passar para recobrar todos seus sentidos. Percebeu então que o único teimoso ali era ele mesmo. Via pessoas cruzando a via pela passarela, de forma segura e sem sustos. Logo, outra cena lhe chamou atenção. Algumas vacas, que pastavam próximo, chegavam perto da via e, desviavam em direção à passarela. Espantado, Bendito assistiu aos animais cruzarem a via pela passarela, como que percebendo o perigo na rodovia. O peão então olhou para seu cavalo e disse: “Nossa, num é qui ocê ta certo! Até os bichos usam a passarela!”. O cavalo não esboçou qualquer reação, continuando a comer sua grama. Naquele tombo Benedito aprendeu que até os animais conhecem o perigo. E seu cavalo, mesmo sofrendo as esporadas de sua bota, salvou sua vida. Logo o peão levantou-se, montou em seu cavalo e, passando a mão pela crina do animal, continuou sua jornada, desaparecendo no horizonte junto ao por do sol.

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A insana guerra no trânsito http://mundotransito.com.br/index.php/2013/05/14/a-insana-guerra-no-transito/ http://mundotransito.com.br/index.php/2013/05/14/a-insana-guerra-no-transito/#comments Tue, 14 May 2013 12:23:49 +0000 admin http://mundotransito.com.br/?p=2961 A insana guerra no trânsito

A insana guerra no trânsito

Tadeu era um jovem apaixonado por guerras e um amante das estratégias militares. Acompanhava pela televisão, rádio, jornais e internet todos os movimentos e histórias das principais guerras da atualidade. Devorou livros de história, decorou textos e depoimentos dos mais diversos militares nas grandes guerras que ocorreram nos últimos anos. Acompanhava atentamente o desfecho do conflito na Coreia do Norte. Torce para que os Estados Unidos ataquem o país oriental. “Vão utilizar mísseis guiados, drones e os porta aviões”, imaginava o jovem, viajando com sua imaginação nas estratégias que poderiam ser empregadas neste conflito.

Aprendeu as técnicas utilizadas pelos americanos na Guerra do Golfo e como expulsaram os iraquianos do Kuwait. Vibrou com o material utilizado e as técnicas de ataque americana quando os Estados Unidos invadiram o Iraque. “Nossa, os caras são bons” – deliciava o jovem com as histórias da guerra. Aprendeu como os aliados invadiram a Alemanha nazista e como venceram a Segunda Guerra. Para ele a Segunda Grande Guerra foi o marco em estratégias de combate. Era fã incondicional das batalhas aéreas, memoráveis naquele tempo. Sabia tudo sobre Luftwafe, sobre a RAF e o ataque a Londres, onde os alemães perderam os combates aéreos com os ingleses.

Como todo jovem apaixonado por guerras e estratégias militares, Tadeu tinha um sonho, dolorosamente desfeito por um problema pulmonar. Ele não conseguiu servir nas Forças Armadas Brasileiras. Foi reprovado no exame médico.  Para ele, foi a maior decepção de sua vida. Mas Tadeu se resignou. Continuou sua vida, na batalha diária em busca de emprego. Conseguiu um trabalho em uma empresa de entrega de encomendas rápidas. Tornou-se um motoboy. E entre uma entrega e outra, Tadeu sempre se lembrava das histórias das impressionantes batalhas, nas grandes guerras e nas estratégias de combate. Parecia transportar para o asfalto, as táticas militares de infiltração, ataque e defesa. Montado em sua motocicleta o jovem viajava em pensamentos, se transportava para um mundo paralelo, onde a guerra era travada nas ruas, cada milímetro de espaço tinha que ser conquistado com garra, força e determinação. Cada veículo que ele ultrapassava era um soldado abatido. Cada ônibus e caminhão era um obstáculo vencido. Ele vibrava como se tivesse vencido a guerra quando entregava a encomenda a tempo.

O jovem soldado do asfalto, como se intitulava, acreditava ser um expert em táticas de guerra nas ruas. Sabia como poucos vencer seus obstáculos.  Em pouco tempo acreditava que poderia ser um general nas batalhas diárias no trânsito. Nada vencia Tadeu, nem o trânsito congestionado, nem as madames que fechavam seu caminho ou tampouco os pedestres que cruzavam sua frente, nos corredores. Ele vencia a todos. Para Tadeu, cada obstáculo vencido, era um soldado inimigo abatido em batalha.  E desta forma, em clima de guerra, Tadeu vivia sua vida. Deixava sua imaginação trabalhar, em meio ao trânsito, carros, pedestres e caminhões. Para ele, cada entrega a ser realizada era uma estratégia diferente de combate. E assim vivia sua rotina de vida como motoboy.

Certo dia, o gerente da empresa em que trabalhava pediu para Tadeu entregar uma encomenda urgente. Mais urgente que a usual. “Eu confio em você, o único que sei que vai entregar a encomenda a tempo”, afirmava o gerente. Aquelas palavras pareciam encher de orgulho o jovem motociclista. Uma missão urgente. Como nas histórias de guerras. Uma incursão rápida em meio a terreno inimigo. Só de imaginar a cena Tadeu vibrava em seu interior. Para o bom militar, ordem dada é ordem cumprida. E lá se foi o soldado do asfalto em sua missão especial. Ele sabia que o endereço de entrega, naquele horário, era difícil. Trânsito congestionado, ruas estreitas e intenso movimento de pedestres e automóveis. Como vencer seus inimigos? Com tática, imaginava Tadeu.

Em meio a ultrapassagens em locais estreitos, imaginava abater seus inimigos. “Menos um”, se deliciava em cada passagem, em cada veículo vencido. O tempo passava, e Tadeu preso ao congestionamento tentava vencer seus inimigos. A preocupação aumentava com o passar dos minutos. A encomenda tinha que ser entregue a tempo. A batalha de hoje estava difícil. Sentia acuado pelos inimigos em cada momento que ficava preso no trânsito. Mas Tadeu não se entregava. Como bom militar, era ótimo motociclista. Vencia aos poucos seus obstáculos. Mas também aumentava sua preocupação com o tempo expirando. Tinha que ser mais arrojado. Como em táticas de guerra, aumentou sua agressividade, trafegando pelas calçadas e buzinando para pedestres nas faixas. Pedestres ora, meros soldados do inimigo, prontos para me abaterem em batalha, imaginava Tadeu.

Faltavam poucos minutos para o final do prazo de entrega. Os inimigos se apinhavam em sua frente, como que formando um pelotão de resistência. E Tadeu os atacava com vigor. Mas as guerras não são só feitas de vitórias. E Tadeu sabia disto. Para vencer esta batalha tinha que ser arrojado. Extremo. E foi neste extremo que Tadeu se esqueceu de se defender. Em meio a uma ultrapassagem no cruzamento, a poucos metros do destino final, ignorando o sinal vermelho, Tadeu encontrou um ônibus. O impacto da colisão foi fulminante. Com a pancada, o corpo de Tadeu parou sobre a roda dianteira do coletivo. Aquele pelotão de soldados, como ele mesmo considerava um ônibus, o havia abatido em combate. Sua motocicleta, completamente destruída. E Tadeu, preso embaixo do ônibus, sentia seus últimos segundos de vida. ‘Não acredito que fui pego”, dizia para si mesmo. Via aquele mundo de pessoas se amontoando ao seu redor. Não conseguia entender o que diziam. Aos poucos tudo foi escurecendo. E Tadeu havia caído em combate. Aquele jovem que imaginava um dia ser soldado, travar batalhas reais em campo inimigo, sentiu que a guerra que travava nas ruas era diferente. Parecia ser mais insana que as outras guerras contadas nos livros de história. Aos poucos fechou seus olhos. A dor já não mais incomodava. E Tadeu havia tombado. Em um último suspiro, um fio de lágrima escorria em seu rosto. Lá estava o jovem, motociclista, sonhador…soldado… morto no insano trânsito da cidade. E Tadeu sentiu que na guerra no trânsito, não existem vencedores. Todos no final, são perdedores.

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Um pingo de vida http://mundotransito.com.br/index.php/2013/04/16/um-pingo-de-vida/ http://mundotransito.com.br/index.php/2013/04/16/um-pingo-de-vida/#comments Tue, 16 Apr 2013 11:46:05 +0000 admin http://mundotransito.com.br/?p=2763 Um pingo de vida

Um pingo de vida

Eduardo era um policial novato, de cor morena e estatura mediana, uma pessoa simples e comum como qualquer outra, que terminava seu turno de trabalho, sem muitas novidades, na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, no Posto Rodoviário de Itanhaém. Em um fim de tarde de domingo quente, Eduardo observava o trânsito dos carros retornando para a Capital, turistas que buscaram , no Litoral, um pouco de lazer e tempo para o stress do trabalho e da rotina das cidades grandes. Eduardo sabia que proporcionar o lazer de muitos fazia parte de seu ofício, pois ele estava lá para disciplinar o trânsito, punir os mais irresponsáveis e principalmente preservar e salvar vidas. Eduardo fixava seus olhos naqueles motoristas, suas famílias e seus veículos, sabia que qualquer deslize de um motorista podia se transformar em perigo para outro. E Eduardo tinha a plena consciência disso.

O sol preguiçosamente se escondia no horizonte, o dia lentamante dava lugar à escudirão de uma noite estrelada, logo a estrada se iluminava com os faróis e lanternas dos veículos, em uma extensa fila colorida. O trânsito já começava a rarear, sinal que a maioria dos veículos já tinham partido e a rotina começava a tomar forma nas estradas da região.
Eduardo, cansado de um dia longo de trabalho, aguardava seu fim de turno e ainda observava os últimos veículos que retornavam à Capital. Semblante cansado era o sinal do fim de mais um dia de trabalho. O jovem policial já observava os ônibus que aproximavam-se do Posto, na espera de sua rendição. No interior do Posto, escrevia no livro de passagem de turno as poucas novidades, guardava no armário o talão de multas e lavava o rosto marcado pelo pó da estrada. Só restava esperar sua rendição.

Mas a  tranqüilidade daquele fim de turno parecia acabar, quando um carro parou em frente ao Posto, e pessoas desesperadas gesticulavam e gritavam pedindo socorro para Eduardo, logo eram dois , três, vários veículos parando no Posto. Uma pequena multidão, em uníssono, sinalizava e avisava para Eduardo: – Um acidente…Várias vítimas….É grave, seu guarda!!!
Um misto de decepção pelo acidente no final de turno de serviço, com a energia de sair para o salvamento movido pela adrenalina, tomara conta de Eduardo. Embarcando em sua viatura (um Voyage antigo, ano 1985, que apesar de velho de guerra mantinha a força dos veículos mais robustos), Eduardo já avisava, pelo rádio, pedindo o auxílio dos Bombeiros . O trânsito lento indicava a proximidade do acidente. Logo Eduardo se via obrigado a transitar com a viatura, pelo acostamento, na tentativa de aproximar-se rapidamente do sinistro.

Uma cena grotesca causava espanto naquele policial novato, que apesar da energia inerente à juventude, lhe faltava a experiência e a serenidade presentes nos mais velhos. Um ônibus urbano parecia ter engolido um pequeno veículo da marca chevete, que cravado embaixo do coletivo, parecia fundir-se em um só com aquele coletivo. Gritos e urros medonhos eram ouvidos em todos lados, Eduardo observava, impotente aquela cena. Pessoas machucadas, desesperadas, desciam do ônibus sem rumo e com ferimentos diversos. O frio na barriga tomava conta de Eduardo, seus olhos esbugalhados varriam sem destino todos personagens daquela cena obscura. Imóvel, petrificado, o jovem policial não sabia o que fazer. O espanto aos poucos dava lugar à necessidade de se fazer algo, necessidade de ajudar aquelas pessoas desconhecidas. Eduardo sabia que , enquanto os Bombeiros não chegassem, precisava agir.

_ Vem comigo!!! Calma, o pior já passou!!! – afirmava Eduardo, já abraçando uma criança desesperada, com um enorme e profundo corte horizontal sobre a testa. Seus braços acolhiam aquela menina que ao avistar o policial, inconscientemente o abraçava, procurando segurança contra seu pavor. Logo Eduardo começava a se encher de coragem, era uma , duas, muitas as vítimas que Eduardo acolhia. Eduardo notou, ao seu redor, que não estava só. Vários motoristas abandonavam seus veículos movidos pelo trabalho solitário de Eduardo, buscando auxiliar as vítimas na busca desesperada da ajuda aos que mais precisavam.

Entretido no socorro das vítimas, Eduardo mal ouvia as sirenes das ambulâncias e bombeiros que já encostavam seus veículos com mais preparo e aparelhagem para o resgate. Apinhavam-se policiais, bombeiros e pessoas comuns que buscavam um único objetivo, abreviar o sofrimento das vítimas estendendo a mão amiga em um momento de tanto sofrimento. Eduardo atentamente auxiliava mulheres, crianças e homens de todas idades, mas notava algo estarrecedor: todas vítimas eram do ônibus. -”E os passageiros do chevette?” – imaginava. Dirigiu-se ao veículo, fundido em monte de ferragens com o coletivo, tentava ouvir algum urro ou grito de socorro. Seu coração gelava perante o silencio naquele veículo. Logo vários bombeiros aproximaram-se do veículo. O temor transformara-se em realidade: todos ocupantes mortos. Dois homens e três mulheres estavam sem vida. O sangue misturava-se ao óleo, a carne forrava os destroços de ferro. Eduardo presenciava, imóvel, aquela cena. Bombeiros retirando pedaços dos corpos. Braços, pernas e cabeças dilaceradas. A tristeza tomava seu ímpeto, o desanimo consumia sua energia. Eduardo via que pouco podia fazer perante aquela morte brutal.

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Um crime covarde http://mundotransito.com.br/index.php/2012/01/06/um-crime-covarde/ http://mundotransito.com.br/index.php/2012/01/06/um-crime-covarde/#comments Fri, 06 Jan 2012 17:50:54 +0000 admin http://mundotransito.com.br/?p=1503 A rodovia Ademar de Barros é considerada a principal via de acesso entre a região de Campinas, interior de São Paulo, ao sul de Minas Gerais. Diariamente, milhares de veículos utilizam-se da rodovia para o turismo, lazer ou mesmo a trabalho. E para suprir as necessidades de segurança desta rodovia, dezenas de policiais rodoviários mantém uma rotina de patrulhamento e fiscalização de trânsito diários. Além do efetivo policial, a estrada também abriga diversos postos de combustível e apoio aos seus usuários, além do serviço executado pela empresa que administra a rodovia.

Dentro deste contexto, que envolve segurança e apoio humano, Marcos e Ivan, patrulham a rodovia, a bordo de um Chevrolet Corsa, uma viatura semi-nova. O fato destes policiais utilizarem um veículo em ótimas condições se deve à parceria entre a Polícia Rodoviária e a concessionária responsável pela rodovia. Parceria esta, já prevista no contrato de concessão. Um ponto positivo para os patrulheiros, no auxílio aos condutores e no combate ao crime na rodovia.

Marcos e Ivan iniciam seu turno de trabalho em um ambiente de aparente tranquilidade. O fim da tarde de sábado é marcado por poucos veículos transitando pelas rodovias da região, fato que leva a poucas chances de ocorrer um acidente. Marcos é o motorista da viatura, enquanto Ivan pode ser considerado o encarregado desta dupla já acostumada à inúmeras ocorrências, sejam em acidentes, sejam policiais. E Marcos observa o movimento, dirigindo em uma baixa velocidade, o que propicia um melhor acompanhamento do tráfego e identificação de possíveis irregularidades ao longo da via. Com seus quase 16 anos de profissão, Marcos, é um policial experiente, de aspecto franzino, baixo e dono de uma enorme tranquilidade. Seu equilíbrio se traduz na grande perspicácia e extrema atenção nas ocorrências em que já se envolveu. Sua atuação efetiva, principalmente no combate ao crime, é motivo de respeito e admiração pelos seus colegas. Ivan pode ser considerado o contrário de seu companheiro, mas não menos respeitado e admirado pelos colegas. Com mais de vinte anos de profissão, Ivan sempre foi marcado pelo pragmatismo, energia e, podemos dizer também, sua intempestividade. Seu porte atlético, estatura alta e uma voz grave denotam uma imagem de intimidação aos que o vêem pela primeira vez. Mas apesar desta aparência intimidadora, Ivan é considerado uma pessoa amável e extremamente afeiçoada aos amigos.

A grande diferença entre ambos está no comportamento, enquanto Marcos é equilibrado e metódico em sua atuação, Ivan é explosivo e prático. Ivan é do tipo que não gosta de levar desaforo para casa. Marcos é sereno. Esta diferença tão gritante em temperamentos foi determinante na decisão do comandante em juntá-los em uma única equipe. Preocupado com a explosão e irreverencia de Ivan, resolveu colocá-lo com Marcos, dando o toque de sutileza na execução das tarefas. O objetivo é tornar a dupla mais equilibrada, sem perder a energia e determinação no cumprimento do dever. Uma mistura que na teoria, teria tudo para dar certo.

_ Está muito tranquilo! – disse Ivan, aparentando um certo tédio.
_ Que continue assim! – respondeu Marcos.
_ Vamos parar logo e realizar uma fiscalização. – disse Ivan
_ Calma, irmão!Primeiro vamos terminar o patrulhamento, depois vamos ter tempo para isso – respondeu novamente Marcos.

O objetivo principal de ambos policiais é propiciar a sensação de segurança aos condutores que trafegam pela rodovia. Além do patrulhamento, a dupla também adentra os postos e restaurantes ao longo da via, afim de inibir possíveis práticas delituosas. A dupla já adentrava no pátio do terceiro posto visitado, quando foi surpreendido por uma aglomeração de pessoas, junto à borracharia, localizada em um dos extremos do posto, distante da bomba e do restaurante. As pessoas, funcionários do posto e do restaurante, apinhavam-se junto à entrada da borracharia, em uma porta de acesso à uma pequenina casa, localizada nos fundos. Esta aglomeração atraiu a dupla de policiais, que atentos, rumaram em direção à borracharia.

_ Que será que está havendo lá? – perguntou Marcos.
_ Não sei! Mas vamos com cuidado! Pode ser uma tentativa de roubo – respondeu Ivan.

A aproximação da viatura da policia rodoviária chamou a atenção das pessoas, que ao avistarem os policiais, começaram a gesticular intensamente pedindo mais rapidez na chegada da polícia. Marcos e Ivan encostaram a viatura a poucos metros da entrada, desembarcaram e iniciaram sua caminhada em direção à borracharia. Logo várias pessoas cercaram os policiais. Eram homens e mulheres que aparentavam bastante agitação. Viam nos policiais a solução daquela situação.

_ Seu guarda! Ainda bem que chegou – disse uma pessoa para Marcos.
_ Graças a Deus! – exclamou outra.
_ Ele está louco! – disse uma terceira pessoa.
_ Mas quem está louco? – perguntou Ivan.
_ O borracheiro – respondeu.

Os olhares das pessoas que rodeavam a dupla estavam transtornados. Algumas mulheres tremiam. Os homens suavam frio mostrando que a situação era mais delicada que parecia. Marcos e Ivan continuavam sem saber o que estava ocorrendo. Ao aproximarem-se da entrada da borracharia, próximos à entrada da casa, outra pessoa alertou a dupla dizendo que havia um homem armado com um facão, no interior da borracharia. A dupla entreolhou-se e, como em uma transmissão de pensamentos, se posicionaram de forma defensiva sobre uma possível agressão do citado homem. Marcos virou-se para as pessoas e perguntou:

_ Afinal! O que está havendo aqui?
_ O borracheiro bebeu todas e está fora de si – disse um jovem, que pelos seus trajes, denunciava tratar-se de um frentista. – sua mulher foi até o Pronto Socorro levar a filha e deixou ele cuidando da outra filha, uma criança de colo. Mas o cara começou a beber e empunhar um facão dizendo que vai matar o primeiro que aparecer.
_ Seu guarda! Ele está com a criança lá dentro! Faz alguma coisa! – disse uma mulher à Ivan.
_ Nós vamos fazer! Tenha calma! – respondeu.
Um homem aproximou-se de Marcos e disse;
_ Seu guarda! Sou o proprietário do posto e desta borracharia! Quando me telefonaram dizendo sobre o ocorrido, corri para cá! Admiti este homem há uns quatro meses, sabia que ele era alcoólatra, mas ele veio me pedir emprego dizendo que estava recomeçando sua vida!

As palavras daquele senhor foram interrompidas por gritos agudos vindos do interior da casa. As palavras ganhavam uma entonação empastada, denunciando o estado de embriagues de quem proferiu. Gritos e palavrões do embriagado eram proferidos à cada momento que alguém apontasse a cabeça na porta da casa. A pessoas, do lado de fora, temiam entrar na casa e serem atingidas pelo facão daquele homem embriagado. Pediam insistentemente ao borracheiro que parasse com aquela cena agressiva. Queriam retirar a criança daquela casa. Mas não sabiam se a criança fora molestada pelo pai. O homem, novamente fitou os olhos de Marcos e continuou a conversa:

_ Eles passavam fome! O borracheiro e sua mulher imploraram serviço. Não tive como negar, pois precisava de um borracheiro que morasse aqui no posto. A esposa deste infeliz é uma mulher trabalhadora e corajosa. Ela ajuda o marido trabalhando como doméstica na cidade. E ela ainda sofria quando o marido se embriagava. Era agredida.
_ Mas ela nunca denunciou o marido? – perguntou Marcos.
_ Pelo que sei, ele chegou a se internar em uma clínica. Aqui no posto até que ele chegava a beber. Mas ficava na sua e nunca tinha mostrado esta agressividade! – respondeu.

Mais uma vez as palavras do proprietário foram cessadas com os berros do borracheiro, que mal conseguia formular uma frase exata. Pelos berros e palavrões, ele queria que todos se distanciassem. Mas a cada urro, mais pessoas aproximavam-se da borracharia, o que causou ainda mais a ira do borracheiro. Ivan, próximo a parede, temia que sua presença pudesse ainda tornar ainda mais agressivo o comportamento do borracheiro. Aguardava Marcos terminar a conversas com o proprietário afim de agir. A vontade de Ivan era entrar logo naquela casa, tomar no braço o facão do borracheiro e resgatar a criança. Mas o policial contera seus atos, à espera do amigo. Marcos ouvia atentamente o proprietário com o intuito de obter mais informações sobre o passado daquele bêbado.

_ Mas o quê o fez ficar neste estado? – perguntou ao proprietário.
_ Não sei! Só sei que ele cuidava da filha, uma criança recém-nascida. Segundo os frentistas, ele estava embriagado na porta da borracharia e proferia palavras de baixo calão em direção aos frentistas e aos clientes do posto. Já portava o facão. Quando meus funcionários se aproximaram dele, o infeliz correu para a casa e disse que quem entrasse morreria. – respondeu o homem.

Marcos pediu calma ao dono da borracharia. Lhe disse que o que pudesse fazer para resolver logo aquela triste situação, ele faria. Então aproximou-se de Ivan e disse:

_ Não ouço a criança! Vamos ter que agir!
_ Deixa que eu vou! Rapidinho eu resolvo! – respondeu Ivan.
_ Vamos devagar! Primeiro eu vou até a porta me identificar ao borracheiro e iniciar um contato – disse Marcos

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Compaixão e indiferença http://mundotransito.com.br/index.php/2011/10/07/compaixao-e-indiferenca/ http://mundotransito.com.br/index.php/2011/10/07/compaixao-e-indiferenca/#comments Fri, 07 Oct 2011 12:25:02 +0000 admin http://mundotransito.com.br/?p=1055 O crepúsculo,com seu céu límpido e sua tonalidade avermelhada, denunciava a chegada de mais uma noite estrelada, típica daquelas noites frias de inverno. Thiago, a bordo de sua viatura, um Volkswagen Gol, fazia seu patrulhamento no início da Rodovia Dom Pedro I, próximo a cidade de Jacareí. Trajando sua espessa jaqueta de couro, Thiago se sentia protegido do friozinho que começava a tomar conta da paisagem. Aquecido, o jovem policial rodoviário sentia coragem de encarar aquela noite que prometia muito frio e também muita neblina, quando iniciasse a madrugada. Fato que preocupava Thiago, pois uma acidente naquelas condições poderia lhe dar muito trabalho.

_ Estou no patrulhamento no quilômetro 3, próximo à Via Dutra. Por aqui, sem novidades! – comunicava pelo rádio.

Thiago pode ser considerado um policial novato, com apenas três anos de profissão. Mas apesar de seu pouco tempo de policiamento, Thiago, um jovem policial com 24 anos de idade, estatura mediana, e porte físico que denunciava uma pessoa um pouco avessa à exercícios físicos, já havia passado por momentos delicados em sua carreira. Ele já passou pela experiência de atender acidentes complexos, como acidentes envolvendo crianças, várias vítimas e até mesmo um acidente envolvendo um caminhão carregado de combustível.

O policial transitava lentamente com sua viatura, pelo acostamento da rodovia, afim de realizar o monitoramento do tráfego e auxílio aos possíveis condutores com veículos em pane. Seu trabalho, apesar de aparentemente monótono, representava um importante instrumento de socorro aos condutores. O local em que Thiago trabalhava era considerado como local de risco de assaltos, executados por criminosos que moravam nos arredores da rodovia. Estes assaltantes, e sua maioria, tratavam-se de menores de idade, que encontravam na rodovia a ilusão do cometimento de crimes fáceis. O intuito da atuação de Thiago era inibir esta prática, através do policiamento constante.

E Thiago fazia sua parte. Patrulhava a rodovia com o principal objetivo de inibir a prática de crimes. Este patrulhamento consistia no deslocamento em velocidade lenta, pelo acostamento, com o uso das luzes intermitentes acionadas, com a principal finalidade de policiamento ostensivo, isto é, ser visto para prevenir.

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Nosso rol secreto de arrependimentos http://mundotransito.com.br/index.php/2011/08/25/nosso-rol-secreto-de-arrependimentos/ http://mundotransito.com.br/index.php/2011/08/25/nosso-rol-secreto-de-arrependimentos/#comments Thu, 25 Aug 2011 22:25:22 +0000 admin http://mundotransito.com.br/?p=720 Estava numa comarca do interior, no início de carreira. Deparei-me com o caso de um acusado que, juntamente com um desconhecido, ingressou numa padaria, anunciou um assalto, levou o dinheiro do caixa e, durante a fuga, tomou a moto de uma mulher, fugindo em disparada. A motocicleta foi largada um quilômetro depois.

A tese do Ministério Público era de tinha havido dois roubos – o da padaria e o da moto, o chamado concurso material de crimes. A tese da defesa era de crime continuado., em que se condena por um só crime, com um pequeno aumento pelo segundo.

Quando fui fazer a sentença, veio à cabeça uma dúvida não aventada pelas partes: se a moto foi subtraída com a intenção de apenas garantir a fuga, já que ela foi encontrada intacta e devolvida logo depois, seria justo condená-lo por isso? Não seria essa segunda pretensa subtração caso de post factum impunível e que não foi levantada pela defesa em razão do despreparo técnico do defensor dativo? Ou seria arrependimento eficaz?

Ainda inexperiente e inseguro, faltou coragem para rechaçar a pretensão do Ministério Público naquele momento, pois temia um possível apelo e a reforma da sentença pelo tribunal, que tinha uma linha muito dura nesses casos. Aí se deu meu erro: fui me aconselhar sobre a existência do post factum impunível logo com quem? Com o amigo e combativo promotor de justiça, que também chamamos de Parquet. Obviamente, como era parte na causa ele reiterou sua tese e procurou rechaçar as teses de crime continuado e de post factum impunível. Destacou que o acusado era  reincidente e que também respondia por um furto cujo interrogatório já estava aprazado.

Informalmente, e sem perceber, aquele diálogo com o Parquet  terminou sendo mais importante para a  formação de um juízo sobre o destino da causa do que a leitura fria das razões das partes.

Um juiz deve perder tudo, menos a isenção. Por dar tratamento privilegiado ao Parquet em relação à defesa, foi exatamente isso que me aconteceu naquela tarde. Resultado: condenei o réu duas horas depois, amparando na íntegra a tese do MP de dois roubos qualificados, a uma pena de uns treze anos de reclusão.

O inconsciente, contudo, não me absolveu. Algo estava fora do lugar. Procurei, no início, racionalizar e justificar que aquele homem merecia a pena maior porque era degenerado. Mas depois passei a sentir um certo desconforto ao pensar no caso nos dias que se seguiram à assinatura da sentença. Ele foi crescendo. Até esperei um recurso da defesa, mas ela silenciou. Houve o trânsito em julgado e, assim, a decisão se tornou imutável. Não havia mais o que fazer. Logo depois me arrependi conscientemente da decisão. A angústia era sintoma de que havia cometido um grave erro: transigido com as minha próprias convicções. Senti a angústia em silêncio, na solidão da toga.

Dias depois veio o interrogatório do acusado no segundo processo que o envolvia. Era um furto cometido por ele na mesma época. Confessou tudo. Encerrada a audiência, ele pediu humildemente para falar comigo e disse, com olhos rasos d’água, exatamente o que eu não queria ouvir:

- Doutor, o senhor cometeu uma grande injustiça comigo naquele outro processo. O senhor me condenou por dois roubos, mas só peguei a moto para fugir! Eu depois a larguei com a chave na ignição.

Poderia ter me escondido por trás de uma resposta fria e ratificadora da decisão já tomada. Até me veio isso. Poderia simplesmente repetir os fundamentos do parquet. Mas não seria honesto com ele. Foi duro dizer, mas respondi:

- Você tem razão. Eu errei. Na época não avaliei bem. Analisando melhor hoje, não o condenaria pelo roubo da moto. E o pior é que não há nada a fazer em relação a esse caso. Já até estudei uma revisão criminal. Seria uma espécie de reavaliação do seu caso. Mas nem isso cabe porque embora concorde com você hoje, a tese do Promotor está juridicamente embasada e só caberia uma revisão se fosse uma coisa absurda.

Eu sabia que quando respondesse à primeira pergunta, seria fatalmente feita uma segunda. E já sabia até seu teor:

- Dá pra dar um jeito em relação a essa acusação de agora? Sei que vou ser condenado de novo.

- Saiba que se fosse possível, o faria, mas infelizmente não é possível compensar as penas. Cada caso é um caso. Saiba também que irei carregar comigo essa culpa.

O leigo não percebe, mas a função de julgar é, muitas vezes, indigna. Um ser repleto de imperfeições julgando o outro…

Foi duro, na posição de juiz, admitir o erro para o próprio acusado, mas acho que ele merecia essa consideração. Foi uma medida de respeito à sua individualidade. E essa abertura para com o outro me permitiu tirar uma lição a partir desse caso: o juiz deve sempre dar paridade de armas às partes.

Acho que essa experiência também me fez um juiz muito mais reflexivo, isento e atencioso com as partes e com as causas, respeitando as regras do jogo. A isonomia de tratamento das partes e a cautela para evitar prejulgamentos são as bases que que alicerçam uma decisão justa.

Agindo assim, diminuí, acredito, a probabilidade de novos erros. Mas não há como evitá-los de maneira absoluta: os tropeços fazem parte até mesmo das melhores trajetórias de vida. Saibam:  somente os juízes absolutamente inexperientes não tem seu rol secreto de arrependimentos. E para alguns, inconfessáveis até para si próprios.

É como digo na chamada do blog:

“Por trás da magnificência de uma toga há, na essência, sempre, um homem, igual a qualquer outro, repleto de anseios, angústias, esperanças e sonhos.”

Conteúdo extraído do blog do Magistrado Rosivaldo Toscano, juiz por competência, qualidade e pureza de espírito. Este texto retrata a humildade e grandeza da alma de uma pessoa por trás da toga. Procure em nossa lista de links e acesse o blog rosivaldotoscano.blogspot.com. Uma leitura imperdível do mundo dos tribunais. Parabéns Sr. Magistrado pela brilhante atuação e serviços prestados à sociedade brasileira.

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A pipa e a estrada http://mundotransito.com.br/index.php/2011/08/16/a-pipa-e-a-estrada/ http://mundotransito.com.br/index.php/2011/08/16/a-pipa-e-a-estrada/#comments Tue, 16 Aug 2011 03:31:13 +0000 admin http://mundotransito.com.br/?p=602 Leandrinho carregava, firmemente em suas mãos, um carretel de linha, papeis de seda coloridos e um pequeno pote de cola, itens que acabara de comprar na venda de Seu João, um humilde mercadinho que abastecia a vila onde o garoto morava. A vila encontrava-se na periferia da cidade, distante da urbanização, mas próxima da pobreza e do descaso do poder publico. Feliz da vida, Leandrinho, um menino com seus tenros 9 anos de idade, rumava para sua casa e ainda custava a acreditar que seu pai, um catador de papelão, daria um dinheirinho para a compra dos objetos que tanto o garoto sonhava. Lembrava em como seu pai o repreendia por correr atrás de pipas, sempre na busca da linha e do brinquedo perdido que insistia em cair lentamente, livre nos céus, para qualquer lugar que o vento carregasse. Por falta de dinheiro, Leandrinho se contentava em capturar uma pipa sem dono nos céus e, nó após nó, juntar pedaços de linha para que pudesse empinar seu brinquedo. Vê-lo pairar sobre sua cabeça, como em uma dança harmoniosa e ainda realizar disputas com os outros meninos da vila pelo controle do céu, como em combates de heróis de desenho animado, fazia Leandrinho embarcar sua imaginação em sonhos e arrancar de seu rosto de criança um sorriso de prazer e alegria.

O pai de Leandrinho, temendo que seu filho pudesse se machucar, distraído na cata de pipas no céu, resolveu presentear o filho com o dinheiro necessário para a compra da linha. Acreditava que desta forma, o garoto pudesse ficar mais próximo de casa e longe do perigo encontrado na travessia da rodovia que cortava o bairro. Seu pai sabia que a estrada era movimentada, onde os veículos transitavam em alta velocidade, representando grave risco à vida de todos que tentavam cruzá-la. Sempre que o pai de Leandrinho retornava para a casa, observava aquelas crianças invadindo uma área perigosa, correndo o risco de serem atropeladas. Por esta razão, resolveu em pagar o material para a montagem do brinquedo, seguro que desta forma seu filho estaria longe da estrada e do iminente perigo.

A felicidade de Leandinho estava esboçada no grande sorriso em seu rosto, pois nunca havia montando uma pipa em casa, ainda mais com dinheiro próprio. Ao chegar ao quintal, mal se conteve e já iniciou sua montagem, utilizando um pouco de cola e as varetas de bambu que havia preparado antes de comprar os itens na venda. Leandrinho parecia falar com sua pipa, que aos poucos tomava forma, sussurrando frases que para um adulto nada representavam, mas para aquele menino, eram frases de boas vindas ao brinquedo que surgia. Comprou três folhas de papel de seda nas cores preta, vermelha e branca que representavam uma homenagem ao seu time de coração, o São Paulo. Seus olhinhos vidrados no brinquedo denunciavam o amor que o menino empenhava em sua montagem. Leandrinho parecia incorporar sua primeira pipa, seu coração parecia se fundir e sentia ali partilhar a liberdade que o brinquedo oferecia, em seu primeiro vôo pelo céu. A felicidade parecia transbordar em seu coração ao ver o resultado de seu empenho. Uma linda pipa, com as cores na horizontal, em vermelho, branco e preto.

Em poucos instantes o menino saía em disparada pela rua da vila, contente em desfilar seu brinquedo aos demais amiguinhos. Percebia a inveja pura de uma criança nos olhinhos de seus pequenos companheiros de brincadeiras. Como sua pipa, ele parecia voar inerte sobre o céu azul, em sintonia com seu brinquedo. Fechando seus olhos, ele e seu brinquedo eram apenas um, sentindo a leve brisa, que o alavancava aos céus. Feliz da vida, ele iniciou o empinar de sua pipa, ignorando que sua linha não possuía cerol e, desta forma, não percebendo que os outros meninos se enchiam de vontade de laçar seu brinquedo. Esqueceu-se que entre seus amigos a disputa pelo céu era uma constante, onde desta vez ele não estava mais na posição de buscar uma pipa perdida.

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O diário de um morto http://mundotransito.com.br/index.php/2011/04/06/o-diario-de-um-morto/ http://mundotransito.com.br/index.php/2011/04/06/o-diario-de-um-morto/#comments Wed, 06 Apr 2011 14:40:15 +0000 admin http://mundotransito.com.br/?p=509 22 de abril – Estou bastante feliz. Nossa! Consegui finalmente adquirir minha sonhada motocicleta e ainda vou poder dar apenas uma entrada e pagar o resto em prestações a perderem de vista. Fui hoje à loja e falei com o vendedor sobre os detalhes da motocicleta que escolhi. Fiz questão de deixar claras as minhas opções: carenagem esportiva, 1100 cilindradas de potência e um escapamento barulhento. Uau! Não vejo a hora de montar na máquina dos meus sonhos.

23 de abril – Conto as horas para testar a parruda. Vou pagar de “fodão” no meu bairro. Os meus amigos vão ficar com a maior dor de cotovelo quando eu desfilar com a minha máquina. Não vejo a hora da rapaziada babar na minha moto. A turma se reúne aos sábados para uma corridinha básica. Agora vou poder tomar parte. Uns 180 por hora vão ser pouco prá mim. “Eita” dia que não chega!

24 de abril – Hoje encontrei a turma. Estavam combinando o que farão amanhã. O ponto de encontro no bairro e por onde iriam iniciar o passeio. Perguntaram se desta vez se eu vou. Disse que sim. Estão curiosos de conhecerem minha Ninja. Quero ver babarem na máquina. Toda preta com detalhes em vermelho e dourado. Vão ficar malucos. Amanhã cedo é o dia. Pego minha máquina e já vou direto pro ponto de encontro. Vai ser adrenalina pura. Vou deixar muita gente prá trás!

25 de abril – Chegou o dia. Fui até a loja, e não me segurava de ansiedade. Nem quis saber muito de “lenga lenga” com o vendedor. O negócio é sentar na possante e sentir seu motor rugir como um leão. Vou arrebentar! Montei na Ninja e fui até o ponto de encontro. Lá estavam todos meus amigos de bota. Os caras babaram mesmo na máquina. Verão na estrada o que farei. Lá vão babar mesmo. E iniciamos nossa viagem. Ainda comportados nas ruas da cidade, todos vibramos quando atingimos os limites urbanos e acessamos a rodovia. O caminho era espetacular. Tudo livre. Os caras me avisaram: cuidado com os desníveis na pista hein! E cuidado também com alguns motoristas distraídos! Mas para mim não interessava. Estar montando na motocicleta a 200 por hora era minha maior vontade. E lá fui. Caracas como a “bixa” corre! Acelerei e poxa, como voa! A “bixa” voa meeesmo! Já estou a 210 por hora e pareço estar devagar. Hehe! É, mas como nem tudo é alegria, me esqueci de uma coisa, ou melhor de duas coisas. Esqueci do desnível na pista e de um domingueiro à minha frente. Fazer o que!? O cara me fechou sem dar seta e saí bruscamente para a direita. Após isso, minha moto atingiu um desnível e eu perdi o controle. Cara! Não lembro de mais nada!

30 de abril – Finalmente abri meus olhos. Pô, meu! Quer pancada a minha. Ué! Tá esquisito aqui. Não me lembro de nada. Apenas de estar desviando de um carro e depois caindo da moto. O que me aconteceu? E porque tudo parece estar branco? Não consigo me mexer. Não acredito só faltava esta agora. Eu ter caído e machucado a coluna. Que raios! Mas poxa, não vejo nada. Pareço coberto! Ah, veio alguém. Aí, meu chapa! Tira esta coisa de mim. Nossa, por que este cara ta me olhando assim, com esta cara de nojo. Puxa, mamãe e papai estão ao lado dele. Porque a mamãe está chorando e o papai não me olha? Pai, eu estou aqui! Deitado, fala comigo! Meus pais se foram. E ainda este cara me cobriu de novo. Quero chorar. Meu Deus o que está havendo?

1 de maio – Tudo está estranho. Não sinto nada e não consigo me mexer. Agora tudo está escuro. Minha cama parece se movimentar. Vixi! Parece que alguém está me transportando. Tomara mesmo. As pessoas deste hospital nem vem falar comigo. Que atendimento ridículo. Sei que pelo jeito devo estar paraplégico ou coisa parecida, mas pelo menos me deixem ver o que esta acontecendo. Tudo está escuro. Nossa, mas ta demorando este carregamento da minha maca. Ué. Paramos? Acho que me colocaram na ambulância. Que legal, estou vendo uma luz. Nossa, estou deitado ainda e quanta gente em volta? Mas porque choram? Meu Deus, isto não parece uma maca, cama de hospital ou ambulância! Onde estou? Estou desesperado, todos olham para mim e choram. O que está havendo? Meu Deus, será que? Não pode ser. Quero me lembrar e não consigo. Vou fechar meus olhos e fazer uma força prá lembrar. Reflita, rapaz. Lembre-se do que aconteceu! Nossa! Agora eu lembrei! Quero chorar meu Deus e não consigo. Lembrei de tudo. Estava a 200 por hora e um carro me fechou. Eu caí violentamente no asfalto e bati a cabeça na mureta de concreto da estrada. O capacete se esfacelou e tive morte instantânea. Nossa, me lembrei. Caracas! Estou vendo meu funeral. Gente, não fechem meu caixão. Não, não… não me abandonem. Tudo está escuro novamente.

2 de maio – Agora me lembro de tudo. Como fui imprudente. Santo Deus, por que não pensei nas conseqüências de meus atos? Como eu não medi os perigos de se andar em velocidades elevadas? Nossa, fui estúpido. Agora é tarde. Papai me perdoe se não fui o filho que você esperava. Mamãe queria te dar um ultimo beijo e te mostrar que te amo, mesmo sem nunca ter dito que te amava tanto. E aos meus amigos, queria muito poder dizer que se pudesse escolher, trocaria de amigos, pois gente que se arrisca de forma tão irresponsável, não merece minha atenção. Mas é tarde. Fazer o que. Este é meu diário. Os primeiros dias de um morto! Pois eu já tinha morrido, quando comprei aquela motocicleta. Morri quando escolhi testar meus limites em lugares que não foram projetados para isso. Morri quando ignorei minha própria vida. Não adianta mais chorar! Resta-me agora que alguém possa ler meu diário. E que meus últimos instantes de vida sejam exemplo para outros. Aos que estiverem lendo as páginas de minha vida, ofereço meu diário. O diário de um morto!

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A feijoada e o sono http://mundotransito.com.br/index.php/2011/02/27/a-feijoada-e-o-sono/ http://mundotransito.com.br/index.php/2011/02/27/a-feijoada-e-o-sono/#comments Sun, 27 Feb 2011 11:44:57 +0000 admin http://mundotransito.com.br/?p=368 O maior inimigo do motorista estradeiro que costuma viajar à noite é, sem duvida, o sono. Por mais que o condutor abra mão de inúmeras formas e macetes de tentar espantar o sono, não tem jeito, quando ele chega, dificilmente um caminhoneiro resiste. Aos poucos surge o devaneio, os olhos começam a ficar embaçados, as pálpebras ficam pesadas e o bocejo surge implacável. E tudo é motivo para brotar aquela preguiça, desde o friozinho da estrada até o barulhinho constante do motor do veículo, seja ele um simples automóvel ou até o mais parrudo dos caminhões. Nesta hora que o motorista utiliza seus subterfúgios, muitas vezes inócuos, para espantar a sonolência. Chicletes, coca-cola, cafés e até pó de guaraná ou os ilegais comprimidos de arrebite fazem parte do arsenal de combate ao sono. É deste arsenal que Rodrigo dispõe para combater o sono e seguir na entrega da carga até seu destino, com o mínimo de paradas possíveis.

Rodrigo é um jovem caminhoneiro que ainda conta com o vigor da juventude para superar limitações que se acentuam apenas com o passar dos anos. Com seus 25 anos de idade e pouco mais de 4 anos de estrada, Rodrigo prefere realizar suas viagens à noite, pois acredita que o trajeto parece ser mais curto sob a escuridão e, além do mais, durante o dia, o trânsito caótico interfere diretamente em seu tempo de viagem. Mas mesmo com toda energia da juventude, o vigor de uma saúde em plena forma, Rodrigo é constantemente alertado pelos seus amigos de estrada dos perigos de se viajar á noite, principalmente quando se acomete o sono.

_ Rapaz! Cuidado, com o sono não se brinca! – afirmava um amigo.

_ Garoto! Quando o sono chega, você parece ver alucinações! Ele te engana! – dizia outro caminhoneiro.

_ Que nada! Eu agüento o tranco! Não tem essa de alucinação comigo! – sentenciava o jovem motorista.

Certo fim de tarde, parado em um posto de combustível e Restaurante, Rodrigo terminava sua refeição e se preparava para mais uma viagem noturna afim de entregar sua carga. Ele havia abusado da feijoada naquela refeição. Não havia como segurar a vontade perante um prato divinamente cheiroso e saboroso. Ainda assim, Rodrigo acreditava que abusar apenas uma vez, não seria sinal de perigo para si. Após efetuar a higiene pessoal, Rodrigo encontrou um grupo de caminhoneiros que dialogavam entre si sobre o destino trágico de um colega de boléia, vítima de um acidente quando atropelou um boi na estrada. Enquanto se preparava para viajar, ouvia os demais comentarem sobre como ocorreu o sinistro. E como um acidente envolvendo um animal pode ser danoso tanto para o motorista como para o veículo.

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O Jacaré sem seguro http://mundotransito.com.br/index.php/2011/02/14/o-jacare-sem-seguro/ http://mundotransito.com.br/index.php/2011/02/14/o-jacare-sem-seguro/#comments Mon, 14 Feb 2011 20:20:54 +0000 admin http://mundotransito.com.br/?p=232 O Brasil é um país de dimensões continentais, que possui uma histórica vocação rodoviária. O escoamento de quase todas riquezas produzidas no país é realizado principalmente pelas estradas. Estradas estas em perfeitas condições de tráfego em alguns lugares e, intransitáveis em outros rincões. Apesar das discrepâncias entre rodovias, algo muito preocupante se apresentava igual em todos lugares: a criminalidade. O roubo de cargas ou veículos vem se mostrando cada vez mais violento, com quadrilhas que a cada ano se especializam na arte deste tipo de crime. Mas algumas características de alguns crimes chamam a atenção de todos. Em muitos crimes praticados, os bandidos querem apenas a carga, informando aos caminhoneiros o futuro paradeiro do veículo. São muitos os relatos de motoristas que reaveram seus veículos desta forma, contando com uma dose extra de sorte. Este é o caso de Edmundo, um velho carreteiro, mineiro de nascimento, que fora vítima de 4 assaltos nestas condições. Em todas vezes ele recuperou seu veículo, sem maiores prejuízos. Edmundo seguia pela Rodovia Anhanguera pilotando seu velho cavalinho, uma Scania modelo 111, carinhosamente apelidado de jacaré pelos demais estradeiros. Acreditava que um Scania jacaré, velho de guerra, jamais chamaria atenção dos criminosos e, por isso, Edmundo nunca preocupou-se em pagar um seguro de seu veículo – uai, é caro demais este tal de seguro !!! – respondia aos companheiros de estrada quando indagado sobre o risco de roubo.

Para Edmundo não valia a pena pagar um valor alto de seguro para um veículo tão rodado. Acreditava que o dinheiro poderia ser melhor aproveitado em outro assunto. O velho caminhoneiro se mostrava um verdadeiro mesquinho quando o assunto era dinheiro. Solteiro por opção, Edmundo vivia na boléia de seu caminhão, sem residência fixa, e sem preocupações em manter uma casa. Mas mesmo sem ter uma família, Edmundo não gostava de por as mãos nos bolsos, e não gastava mais que o essencial. Mesmo para comer o caminhoneiro fazia contas e valorizava cada moeda. O velho poderia, se quisesse, adquirir um veículo mais novo, em melhores condições de uso. Mas não queria. Não acreditava que algo poderia acontecer com seu velho jacaré. Apesar de todos avisos de seus colegas, nada faria Edmundo mudar de idéia. Para todos, ele exibia seus poucos dentes em um sorriso amarelo e respondia:

_ Uai! Deus me guarda, gente!

Após trafegar por várias horas, Edmundo se aproximava de um trecho com pouco movimento na estrada. Já eram quase 3 da manhã e o velho motorista queria chegar logo em Uberaba, destino da carga de ferro, que seu caminhão transportava. Notava poucos faróis despontando no horizonte denunciando a quase total solidão a bordo do velho jacaré. Chegava a hora negra, tempo em que agiam algumas quadrilhas de roubo de carga. Mas Edmundo ainda assim, apesar de receoso, procurava ignorar. Após passar por Ituverava, Edmundo atingiu um trecho praticamente sem habitações na beira da estrada. Notou a aproximação lenta de um veículo, no mesmo sentido que ele seguia. Aos poucos um frio na barriga tomava conta de Edmundo. O automóvel, de cor escura, logo emparelhou com seu velho Scania e, em um relance um homem se postou sentado junto à sua porta e, apontando uma carabina, berrava ao velho para que parasse seu caminhão. Sem ter condições de reagir, Edmundo apenas obedeceu as ordens dos meliantes. Logo que parou seu veículo, Edmundo foi abordado por outros dois criminosos, que rapidamente saíram do carro. Perguntaram ao velho qual carga que transportava. Edmundo, com a pergunta, acreditou que estivesse atrás do produto transportado, e respondeu:

- Gente, é ferro. Tem aí uns 30 mil reais de ferro, ta! A nota ta na pala do sol! Podem pegar!

_ Fique quieto velho! Entra no carro e abaixa a cabeça!– respondeu um dos assaltantes.

Edmundo prontamente foi colocado no porta malas do veículo e, às cegas sem saber onde ia, sentiu que o veículo de seus raptores empreendia marcha. Preso naquele compartimento, o velho parecia estar tranqüilo e pensava consigo mesmo – “que se dane a carga… ela tem seguro mesmo… daqui a pouco eles me soltam e me devolvem o meu jacaré”. O velho  parecia acreditar piamente que logo seria solto, pois o método de trabalho dos criminosos era esse. Levavam o condutor sob escolta á um lugar ermo e, apenas o soltava após a carga ser reconduzida para um lugar seguro. E logo depois, abandonavam o veículo em outro lugar distante. Depois de um longo período de tempo, Edmundo percebeu que o veículo havia parado. Logo após, dois homens abriram o porta malas e determinaram que descesse do veículo. Em todo tempo os homens demonstravam ser grosseiros com ele.

_ Fique quieto! Daqui a pouco você vai embora! – disse um dos homens

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